top of page
Muralis_BR_Portuguese_2025_Certification_Badge.png
Muralis-1.png

IA para Gestão de Ativos

  • Foto do escritor: Muralis
    Muralis
  • há 15 horas
  • 4 min de leitura

Neste artigo, compartilho uma experiência vivida com um cliente de Utilities, em que o treinamento de uma IA para a atualização da base de ativos gerou valor concreto para a operação.


Ao transformar plantas e croquis em dados estruturados, integrados ao GIS e validados tecnicamente, a organização não mudou sua forma de tomar decisões. Ela passou a decidir com menos esforço, menos risco e maior consistência ao longo do tempo.


Venha ver como a IA deixou de ser uma promessa futura e passou a se tangibilizar como um retorno concreto, sustentável e alinhado à complexidade real do negócio.

O retorno aparece quando a decisão deixa de carregar custo oculto

O retorno mais perceptível da IA na gestão de ativos surge quando decisões técnicas deixam de carregar custos implícitos de validação e de incerteza.


No cenário analisado, a base documental era composta majoritariamente por plantas e croquis produzidos entre o fim dos anos 1990 e a década de 2010, em diferentes padrões gráficos, com níveis variados de conservação e legibilidade. Antes da aplicação de IA, a leitura e a interpretação desses documentos dependiam quase integralmente do esforço humano especializado.


Ao estruturar essa informação, o ganho não apareceu como um salto tecnológico, mas como uma redução consistente do esforço operacional. Horas dedicadas à leitura manual foram absorvidas pelos processos automatizados. Ajustes tardios no cadastro e no projeto diminuíram. O tempo necessário para validar a informação antes da decisão caiu perceptivelmente.


O ROI, nesse contexto, se tornou parte da rotina: menos conferência, menos retrabalho e maior fluidez entre engenharia, planejamento e operação.

O problema não está na capacidade analítica, mas no ponto de partida da informação

As decisões já eram técnicas, maduras e tomadas por equipes experientes. O desafio estava no ponto em que a informação nascia.


Os As Built concentravam conhecimento essencial, traçado real, interferências, materiais executados, mas chegavam ao ambiente digital como imagens e arquivos estáticos. Em média, esse acervo apresentava legibilidade heterogênea, exigindo interpretação manual, inclusive para informações básicas.


Isso não impedia a análise, mas impunha um custo contínuo de validação. Cada decisão levava tempo adicional para confirmar se o documento refletia com precisão o que estava em campo.


O impacto se manifesta como esforço recorrente e risco distribuído

Quando a informação não entra estruturada no cadastro, o impacto se distribui ao longo do ciclo de vida do ativo.

No dia a dia, isso significava:

  • Validações de campo repetidas para confirmar a localização e os atributos.

  • Inclusão de margens adicionais no escopo e na contingência.

  • Revisitas constantes aos documentos originais para esclarecer pontos específicos.


Nada disso parecia um erro de processo. Era o custo natural de operar com uma base que exigia interpretação recorrente. O problema é que esse esforço se acumulava ao longo dos anos.


O que foi feito para mudar essa condição na prática

A mudança ocorreu quando a documentação técnica passou a ser tratada como fonte ativa de dados, e não apenas como histórico.


A solução operacional estruturou-se em 3 etapas claras:


  1. Leitura automatizada de plantas e croquis

Documentos históricos foram processados com OCR e visão computacional, preparados para lidar com:

  • Diferentes padrões gráficos.

  • Anotações manuais.

  • Qualidade variável de escaneamento.


Mesmo com essa diversidade, a extração atingiu níveis de assertividade próximos de 90–95% para identificação de elementos técnicos recorrentes, como traçados, símbolos e textos-chave, reduzindo drasticamente o volume de leitura integral manual.


  1. Extração e validação assistida por IA

Os dados extraídos foram submetidos a regras de consistência e validação técnica antes de serem incluídos no cadastro.


Em testes com conjuntos controlados de documentos:

  • Modelos de classificação e validação atingiram aproximadamente 85% de acurácia, considerando apenas documentos não utilizados no treinamento.

  • O erro residual se concentrou em variações muito próximas de tipologia e simbologia, já previstas no processo.


O papel do especialista deixou de ser apenas a digitação e passou a incluir a validação qualificada e o tratamento de exceções.


  1. Integração com GIS e cadastro geoespacial

A informação validada alimentou diretamente o ambiente GIS. Elementos extraídos dos documentos passaram a se vincular a coordenadas reais de campo.


Nesse processo, o posicionamento geográfico atingiu precisão compatível com a escala operacional da rede, suficiente para apoiar a manutenção, o planejamento e a análise, sem necessidade de validações adicionais, em grande parte dos casos.


O resultado foi um cadastro mais aderente à realidade construída desde a origem.

O retorno se consolida exatamente onde começou

Com uma base mais confiável, o esforço para decidir diminuiu.

Equipes passaram a confiar mais nas informações disponíveis no sistema, a reduzir verificações redundantes e a trabalhar com menos variáveis ocultas no planejamento.


O retorno inicial ocorreu com a redução das horas técnicas dedicadas à conferência manual. No médio prazo, o benefício se ampliou para menor retrabalho, maior previsibilidade operacional e melhor aproveitamento dos modelos analíticos já existentes.


O ROI não veio de mudar o que já funcionava, mas de remover o atrito invisível entre a informação técnica e a decisão.


A experiência da Muralis nesse contexto


É nesse tipo de desafio estrutural que a Muralis atua.


Transformamos dados de diversas fontes em informações tangíveis e de fácil acesso, possibilitando o histórico da base, em conjunto com uma base atualizada e confiável, que impulsiona a tomada de decisão.


Não tratamos a IA como uma solução isolada, mas a integramos no fluxo real de engenharia, operação e planejamento.


Esse trabalho começa na base, mas não termina nela.


Nos próximos conteúdos, a discussão avança para outros pontos críticos, como o apoio à manutenção da rede, a precisão da profundidade da rede e o apoio aos leitores de medição.


Porque, na gestão de ativos, inteligência não é um evento.

É um processo que evolui junto com o ativo.


Muralis insigths | Gestão Comercial: Viviane Fernandes

Comentários


bottom of page