IA para Gestão de Ativos
- Muralis

- há 15 horas
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Neste artigo, compartilho uma experiência vivida com um cliente de Utilities, em que o treinamento de uma IA para a atualização da base de ativos gerou valor concreto para a operação.
Ao transformar plantas e croquis em dados estruturados, integrados ao GIS e validados tecnicamente, a organização não mudou sua forma de tomar decisões. Ela passou a decidir com menos esforço, menos risco e maior consistência ao longo do tempo.
Venha ver como a IA deixou de ser uma promessa futura e passou a se tangibilizar como um retorno concreto, sustentável e alinhado à complexidade real do negócio.
O retorno aparece quando a decisão deixa de carregar custo oculto
O retorno mais perceptível da IA na gestão de ativos surge quando decisões técnicas deixam de carregar custos implícitos de validação e de incerteza.
No cenário analisado, a base documental era composta majoritariamente por plantas e croquis produzidos entre o fim dos anos 1990 e a década de 2010, em diferentes padrões gráficos, com níveis variados de conservação e legibilidade. Antes da aplicação de IA, a leitura e a interpretação desses documentos dependiam quase integralmente do esforço humano especializado.
Ao estruturar essa informação, o ganho não apareceu como um salto tecnológico, mas como uma redução consistente do esforço operacional. Horas dedicadas à leitura manual foram absorvidas pelos processos automatizados. Ajustes tardios no cadastro e no projeto diminuíram. O tempo necessário para validar a informação antes da decisão caiu perceptivelmente.
O ROI, nesse contexto, se tornou parte da rotina: menos conferência, menos retrabalho e maior fluidez entre engenharia, planejamento e operação.
O problema não está na capacidade analítica, mas no ponto de partida da informação
As decisões já eram técnicas, maduras e tomadas por equipes experientes. O desafio estava no ponto em que a informação nascia.
Os As Built concentravam conhecimento essencial, traçado real, interferências, materiais executados, mas chegavam ao ambiente digital como imagens e arquivos estáticos. Em média, esse acervo apresentava legibilidade heterogênea, exigindo interpretação manual, inclusive para informações básicas.
Isso não impedia a análise, mas impunha um custo contínuo de validação. Cada decisão levava tempo adicional para confirmar se o documento refletia com precisão o que estava em campo.
O impacto se manifesta como esforço recorrente e risco distribuído
Quando a informação não entra estruturada no cadastro, o impacto se distribui ao longo do ciclo de vida do ativo.
No dia a dia, isso significava:
Validações de campo repetidas para confirmar a localização e os atributos.
Inclusão de margens adicionais no escopo e na contingência.
Revisitas constantes aos documentos originais para esclarecer pontos específicos.
Nada disso parecia um erro de processo. Era o custo natural de operar com uma base que exigia interpretação recorrente. O problema é que esse esforço se acumulava ao longo dos anos.
O que foi feito para mudar essa condição na prática
A mudança ocorreu quando a documentação técnica passou a ser tratada como fonte ativa de dados, e não apenas como histórico.
A solução operacional estruturou-se em 3 etapas claras:
Leitura automatizada de plantas e croquis
Documentos históricos foram processados com OCR e visão computacional, preparados para lidar com:
Diferentes padrões gráficos.
Anotações manuais.
Qualidade variável de escaneamento.
Mesmo com essa diversidade, a extração atingiu níveis de assertividade próximos de 90–95% para identificação de elementos técnicos recorrentes, como traçados, símbolos e textos-chave, reduzindo drasticamente o volume de leitura integral manual.
Extração e validação assistida por IA
Os dados extraídos foram submetidos a regras de consistência e validação técnica antes de serem incluídos no cadastro.
Em testes com conjuntos controlados de documentos:
Modelos de classificação e validação atingiram aproximadamente 85% de acurácia, considerando apenas documentos não utilizados no treinamento.
O erro residual se concentrou em variações muito próximas de tipologia e simbologia, já previstas no processo.
O papel do especialista deixou de ser apenas a digitação e passou a incluir a validação qualificada e o tratamento de exceções.
Integração com GIS e cadastro geoespacial
A informação validada alimentou diretamente o ambiente GIS. Elementos extraídos dos documentos passaram a se vincular a coordenadas reais de campo.
Nesse processo, o posicionamento geográfico atingiu precisão compatível com a escala operacional da rede, suficiente para apoiar a manutenção, o planejamento e a análise, sem necessidade de validações adicionais, em grande parte dos casos.
O resultado foi um cadastro mais aderente à realidade construída desde a origem.
O retorno se consolida exatamente onde começou
Com uma base mais confiável, o esforço para decidir diminuiu.
Equipes passaram a confiar mais nas informações disponíveis no sistema, a reduzir verificações redundantes e a trabalhar com menos variáveis ocultas no planejamento.
O retorno inicial ocorreu com a redução das horas técnicas dedicadas à conferência manual. No médio prazo, o benefício se ampliou para menor retrabalho, maior previsibilidade operacional e melhor aproveitamento dos modelos analíticos já existentes.
O ROI não veio de mudar o que já funcionava, mas de remover o atrito invisível entre a informação técnica e a decisão.
A experiência da Muralis nesse contexto
É nesse tipo de desafio estrutural que a Muralis atua.
Transformamos dados de diversas fontes em informações tangíveis e de fácil acesso, possibilitando o histórico da base, em conjunto com uma base atualizada e confiável, que impulsiona a tomada de decisão.
Não tratamos a IA como uma solução isolada, mas a integramos no fluxo real de engenharia, operação e planejamento.
Esse trabalho começa na base, mas não termina nela.
Nos próximos conteúdos, a discussão avança para outros pontos críticos, como o apoio à manutenção da rede, a precisão da profundidade da rede e o apoio aos leitores de medição.
Porque, na gestão de ativos, inteligência não é um evento.
É um processo que evolui junto com o ativo.
Muralis insigths | Gestão Comercial: Viviane Fernandes







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