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O papel da IA na gestão de risco em redes de gás natural: uma proposta para reduzir incertezas em medições de campo

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    Muralis
  • há 17 minutos
  • 5 min de leitura

Em operações de distribuição de gás natural, a qualidade da informação disponível às equipes de campo impacta diretamente a segurança, a continuidade operacional e a gestão de ativos. Entre os dados críticos nesse contexto está a profundidade das tubulações subterrâneas, informação essencial para atividades de escavação, manutenção, inspeção e planejamento de intervenções.


Sua obtenção em campo ainda depende muitas vezes de processos manuais, como o posicionamento de réguas topográficas, leitura visual do operador e o registro posterior da medição. Esse modelo é funcional, mas apresenta limitações relevantes para uma operação que exige alta confiabilidade: variação na interpretação entre profissionais, influência de condições ambientais, ausência de padronização na captura de informações e baixa rastreabilidade do dado gerado.


Nesse cenário, a aplicação de Inteligência Artificial surge como uma alternativa concreta para apoiar a operação, não para substituir o profissional de campo, mas para criar uma camada adicional de precisão, segurança, validação e governança em uma atividade crítica.


O desafio das leituras manuais em operações críticas


Uma vez que a leitura da régua topográfica depende da interpretação individual do operador, está sujeita a variações de iluminação, ângulo de visão e posicionamento da régua.


Desta maneira, o registro geralmente não gera evidências estruturadas que permitam auditoria posterior, rastreabilidade ou análise histórica consistente. Em operações de larga escala, essas pequenas variações acumuladas tornam-se um fator relevante de incerteza.


Para tomadores de decisão, o problema não reside apenas no erro pontual, mas também na ausência de padronização e de mecanismos objetivos de validação. Sem dados confiáveis, o planejamento perde robustez e a gestão de risco passa a operar com margens excessivamente amplas ou, pior, com uma falsa sensação de segurança.



Um case do uso de IA para leitura da régua topográfica para uma aferição mais precisa


O uso de Inteligência Artificial nesse contexto não se deu como um exercício tecnológico abstrato, mas como uma resposta direta a uma necessidade operacional concreta. O ponto de partida foi a compreensão profunda da realidade de campo: equipes técnicas acompanharam medições in loco, analisaram condições ambientais, padrões de uso da régua, variáveis visuais e fluxos de trabalho reais.


Esse diagnóstico foi fundamental para evitar um erro comum em projetos de digitalização: desenvolver soluções que funcionam bem em ambientes controlados, mas falham na operação real. A premissa adotada foi clara: a tecnologia deveria se adaptar à operação existente, e não o contrário.


IA como camada de confiabilidade operacional


O maior valor da IA não está necessariamente na sofisticação algorítmica, mas na capacidade de reduzir incertezas em pontos críticos da operação. No caso das redes subterrâneas de gás, a visão computacional pode atuar como uma camada de apoio à decisão, transformando registros visuais em informações consistentes e reutilizáveis.


Na prática, isso significa aumentar a confiabilidade de uma etapa sensível do processo: a confirmação da profundidade real da tubulação antes de uma intervenção. Quanto mais consistente for esse dado, maior será a capacidade das equipes de planejamento e manutenção de definir métodos de escavação, avaliar riscos, priorizar recursos e orientar a execução em campo.


Além disso, a IA permite estabelecer critérios objetivos para a qualidade da informação. O sistema pode, por exemplo, indicar baixa confiança na leitura quando a imagem apresentar iluminação inadequada, enquadramento insuficiente, marcações parcialmente obstruídas ou distância incompatível. Nesses casos, a solução pode solicitar uma nova captura antes que a informação seja incorporada ao registro operacional.


Esse ponto é essencial para operações críticas: tão importante quanto automatizar a leitura é impedir que dados de baixa qualidade alimentem a base corporativa. A IA, portanto, não deve apenas interpretar imagens, mas também atuar como um filtro de qualidade, reduzindo a entrada de informações inconsistentes no processo decisório.


IA aplicada ao reconhecimento de imagens e à transformação do dado


A solução resultante consiste em um aplicativo móvel integrado a um modelo de Inteligência Artificial com reconhecimento de imagens, para automatizar e padronizar a leitura de réguas topográficas utilizadas em campo. O fluxo operacional foi deliberadamente mantido simples: o profissional posiciona a régua como já fazia, captura a imagem no aplicativo e o sistema executa a análise.


Uso de IA na análise de dados a partir da captura de uma foto da régua topográfica
Uso de IA na análise de dados a partir da captura de uma foto da régua topográfica

Do ponto de vista técnico, o modelo identifica os caracteres numéricos da régua, reconhece seus quadrantes e utiliza referências visuais do entorno para contextualizar a leitura espacial. O resultado é a conversão de uma imagem bruta em dados estruturados: valor de profundidade calculado, evidência visual associada, data, horário e rastreabilidade da medição.


Esse processo elimina variações subjetivas, reduz a probabilidade de erro humano e cria um registro digital auditável, o que representa uma mudança relevante para operações que demandam prestação de contas, conformidade regulatória e controle interno rigoroso.


Valor operacional da solução

A adoção dessa abordagem implica ganhos relevantes em quatro dimensões principais:


1. Padronização do processo de medição

Ao automatizar a leitura da régua, a organização reduz a dependência de interpretação individual e passa a operar com um critério uniforme de leitura. Isso contribui para maior consistência entre equipes, regiões e turnos de operação.


2. Rastreabilidade e governança do dado

Cada medição passa a ser acompanhada de sua respectiva imagem, valor interpretado, data, horário e demais metadados operacionais. Esse registro fortalece auditorias internas, análises de conformidade, investigações de desvios e a melhoria contínua dos processos.


3. Redução de incertezas em intervenções críticas

Com dados mais consistentes sobre profundidade, as equipes de manutenção e planejamento passam a contar com uma base mais confiável para definir métodos de escavação, avaliar riscos e orientar intervenções em campo.


4. Formação de base histórica operacional

A digitalização estruturada das medições permite a construção de uma base histórica de profundidades e de registros visuais. Ao longo do tempo, essa base passa a apoiar análises preditivas, o planejamento de manutenção, a atualização cadastral e as decisões de investimento em infraestrutura.


Tecnologia como instrumento de governança

Mais do que um caso de automação, a aplicação de IA nesse contexto evidencia uma tendência mais ampla: o uso de tecnologia como instrumento de governança operacional e de mitigação de riscos. Em infraestruturas críticas, a eficiência não se mede apenas pela velocidade ou pela redução de custos, mas também pela capacidade de operar de forma segura, previsível e responsável ao longo do tempo.


A experiência demonstra que soluções de maior impacto não são necessariamente as mais complexas, mas sim as que atuam diretamente sobre pontos sensíveis do processo, transformando práticas consolidadas em fluxos mais confiáveis e auditáveis.


O valor da iniciativa está na possibilidade de transformar uma leitura manual, sujeita a variações e baixa rastreabilidade, em um dado estruturado, auditável e integrado à gestão de ativos.


Para líderes e tomadores de decisão, a lição é clara: investir em Inteligência Artificial aplicada ao contexto real da operação não é uma agenda de inovação periférica, mas parte integrante de uma estratégia sólida de segurança, continuidade e gestão de ativos críticos.



Muralis Insights | IA e Gestão de Ativos

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